segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Livros, personagens e realidade.

A comparação de pessoas com livros emparelhados em uma estante qualquer, não é assim tão sem fundamento. Uma ideia realista, onde seres acéfalos e fúteis escolhem somente a capa e mentes “pseudo-cults” optam por títulos diferentes e difíceis (como se isso fosse engrandecer seus caráteres fechados). Este mesmo realismo, que nos alinha por ordem alfabética em filas tortas e com espaços vazios. Onde deixam de lado as entre linhas e focam apenas no resumo não-literário, para dessa forma, facilitar a falta de raciocínio do próximo.
Por isso, sei que não temos pleno poder para escolher a estante, a prateleira ou até mesmo o criado-mudo para estagnar. Somos guiados por quem possui o papel e a tinta, resultando em capas, títulos, drama, romance e até ficção.
Entretanto, se eu pudesse escolher, certamente transitaria entre o minimalismo fofo de Quintana e o extremo surrealismo de Bandeira. Esquivaria dos romances pós-renascentistas e me jogaria de cabeça nas declarações de Drumond. Jamais passaria perto de Best Sellers de auto-ajuda e tentaria manter a classe do Parnasiano, dando valor também à imaginação de Verne.
Quem sabe daqui pra frente eu não ouse em arriscar, mesmo que a grafite, resvalar rascunhos pertinentes ao meu presente ou até mesmo ao meu futuro. Pois já dizia Shakespeare “O destino é o que baralha as cartas, mas nós somos os que jogamos.”

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Verbo estar, no presente indicativo.

Não está pra ser notada, nem amada ou odiada. Não é nada, apenas está. E hoje, está menos do que foi ontem, ou mais do que será amanhã. Porque pessoas passaram, e cada uma levou um pedaço. Não sobrou muito, só as verdades não vividas. Preocupada com o que já foi, parou no tempo. E o tempo - tão real e cruel - passa devagar, para que saboreie toda a falta. Mas agora, está pra recomeçar. E o recomeço será saboreado com mais intensidade e vivacidade que o generoso tempo permitir.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Memórias e agradecimentos.


Procuro palavras de retribuição, de agradecimento por todo o carinho, toda sabedoria, toda lição de vida que só vocês me proporcionaram. Tenho incalculáveis motivos para estufar meu peito de orgulho pela benção de ter tido os melhores avós que alguém poderia imaginar. Que com ternura, paciência e bom-humor ajudaram a construir o meu caráter, jamais deixaram faltar nada, supriram os meus mimos, aconchegaram-me sempre com um sorriso e acreditaram nos meus sonhos. Por isso, sei que não há argumentos para expressar minha gratidão.
Mais uma vez então, obrigado por tudo, eu amo muito vocês.

domingo, 25 de abril de 2010

Sadismo sentimental

O motivo da insônia já não poderia ser outro, desatenção por motivos já conhecidos, a expectativa sempre tão grande dominando involuntariamente meu subconsciente, chego a pensar que nem vivo mais, apenas sonho. Idealizo tudo, buscando sempre fugir dessa realidade que já não é mais tão doce assim, fatos ocorrem e não posso impedir, embora viva me perguntando se não há outro restante que não seja o lamento, culpar a ciência não basta, afinal tudo perderia o sentido se existisse a tão comentada máquina do tempo e tele transporte. E é ai que os sentimentos entram em conflito, ansiedade, saudade e ilusão, chegam em um só acordo, o de confundir. Sem se justificar ou amparar, apenas confirmando minha teoria: ‘o prazer de ver ruir. ’

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Inversos da aprendiz

Quero entender onde aprendi,
a ser quem não deveria saber, a saber o que não deveria ser,
a escolher a dúvida, a duvidar da escolha,
a existir variavelmente, a variar na existência,
a investir na proposta, a propor a investida,
a temer o fraco, a fracassar temendo,
a concluir questionando, a questionar a conclusão.
Sinceramente, só quero aprender o que ninguém pode entender.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Contrariando Apolo

Tenho a plena consciência que nada ficará esclarecido, e isso é engraçado, pois a luz é uma necessidade vital para o bendito Homo sapiens, meu mundo de ideias no entanto não é tão claro como deveria ser, tão correto como todos me ensinaram, tão puro quanto insisto dia-a-dia tentando demonstrar a meros coadjuvantes que me cercam. Quem precisa fazer sentido em um blog que meia dúzia de gatos pingados vão ler? isto é, se alguém ler. Já estou relutando comigo mesma para expor minhas ideias, não por medo de ser subjugada, e sim pelo fato de serem exclusivamente pessoais, se não posso ler a mente do próximo, porque daria esse poder a qualquer um?
E a gramática? Bom que se foda ela, por mais que eu não pense assim, minha incompetência para ordenar as palavras de maneira correta, com seus pontos nos lugares certos e suas conjunções alinhadas devidamente, faz com que eu não crie tanto apresso por algo tão complexo, deve ser isso então, sempre fui a favor das coisas mais simples e principalmente mais práticas. Ainda que haja controvérsias em meu cérebro, buscando sempre atingir o lugar mais alto, as cobiças mais extremas e os sentimentos mais impossíveis. Oscilando diariamente entre afirmações e negações, criando postulados que não resultam em absolutamente nada, sendo essa, a resposta para todas as perguntas.